Galeria de Pinturas

No topo deste site encontra ligação para as pinturas que vão saindo do atelier e que vou dividindo por temas. Verifique sempre para ver o que há de novo! Caso alguma seja do seu agrado e pretenda encomendar, seja para decorar algum espaço ou para oferecer... esteja à vontade para contactar para ohpinturas@hotmail.com. Terei todo o gosto em responder :)
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Abertura do Coração



Será que passamos as nossas vidas atrás da barreira de um portão fechado, para nos protegermos da dor e sofrimento que possam, eventualmente chegar até nós ?

Se deixarmos que o nosso coração se abra, será que vamos ver as coisas sob uma luz diferente ?
Iremos crescer para além das barreiras do nosso coração e seremos capazes de experimentar uma maior riqueza de vida ?

Estas questões surgiram-me há já algum tempo, em certos momentos em que me defrontava ao mesmo tempo, com sentimentos de tristeza, e por outro lado de admiração.  Tristeza,  por mim e por outras pessoas, porque tenho a impressão que muitos de nós vamos passando pela vida com partes do nosso coração fechadas, para nos protegermos da dor e sofrimento.  E admiração porque estava a começar a aprender como me sentia tão bem ao abrir o meu coração a tudo à minha volta, a outras pessoas, a acontecimentos, à natureza, ao design dos edifícios,aos animais,  tudo!

A capacidade de abrir o coração foi um processo que tem vindo a acontecer com o tempo.   Comecei por ter uma mente muito aberta para tudo o que era diferente e novo para mim.   Comecei a perceber que precisava de momentos em que a mente racional ficasse mais para trás e me deixasse sentir a minha essência, no fundo a essência de todos nós humanos.   A mente racional, aquela que no fundo é formatada pelas nossas vivências em sociedade, pela escola, pela família, pelos amigos, pelos media, pelo cinema… acaba por nos impedir de ver(sentir) mais além.  Quando conseguimos perceber que somos muito mais do que seres racionais, começamos a notar as subtilezas de tudo à nossa volta.  As coincidências, certos padrões de acontecimentos, deixando de lado preconceitos, ideias pré-concebidas  ou dogmas, começamos a aperceber-nos que há de facto um poder, uma ordem, uma energia, Deus, o Universo… o que lhe queiram chamar, e que é algo de muito superior.  Que está por detrás de tudo.  Está EM tudo!   

Gostei deste conceito (lá está a mente racional a mandar…”conceito”…), ok, gostei desta descoberta, gostei do que senti, é  muiiiiiito calmante para a alma.   Fui relaxando e  olhando para as outras pessoas à minha volta cada vez com menos medo, mais amor e mais tolerância.  Nesta aprendizagem, o meu coração segue a minha mente solta e continua… e acabam por ser as pequenas coisas que trazem alegria e a abertura no meu coração.  Por exemplo, quando no supermercado reparo num sorriso de uma mãe para o seu filhote, quando passo por um sem-abrigo cujos olhos se iluminam só porque eu lhe sorri…, quando uma flor delicada acaba de abrir, quando vejo um arco-iris, numa letra de uma canção que está a passar no rádio do carro, no som da chuva...  Quanto mais abro o meu coração para tudo à minha volta, tanto mais sinto alegria e admiração e ainda mais se abre o coração.  Parece que é uma espiral sempre presente, muito pacífica e ascendente. 



Desta forma sinto que vivo mais cada momento, sou muito mais aberta, vivo mais pelo coração, sinto o poder do “agora”.

Hoje em dia, viver com abertura de coração, significa que estou mais disponível para tudo o que a vida tiver para me oferecer no que diz respeito a sentimentos.  Significa poder estar aberta a experimentar sentimentos opostos,  alegria, tristeza, esperança desespero,  coragem, medo.  É uma abertura para sentir que os meus sentimentos me levam a viver uma vida mais preenchida e muito mais rica, de uma forma que é impossível de descrever.  

O meu coração não está sempre aberto e às vezes é difícil e tenho que lutar.  Especialmente neste agora, com tudo o que estamos a viver, com esta terrível crise que nos assola a todos e da qual não sabemos quando e como iremos sair.  Às vezes parece que vivemos às prestações! Eu luto todos os dias, cá dentro, para não fechar o coração, para não me tornar um autómato para trabalhar, comer e dormir e trabalhar, comer e dormir, porque a vida é muito, muito mais.  Há vida para além da crise, nas pequenas coisas que não custam dinheiro, que não pagam imposto. 
Há alturas em que é mesmo difícil, ao ponto de já nem me apetecer pintar, nem sorrir, nem estar alegre, porque amanhã levaremos com outro “balde de água fria” e é  difícil viver nesta  “montanha-russa”.   Tenho amigos e familiares completamente devastados,  sem vontade de uma anedota, de uma conversa que não inclua a palavra “crise”, que estão a fechar o seu coração como forma de não sofrerem.  Não acham piada a nada, já raramente sorriem… é muito difícil, mas temos de conseguir.  Temos de lutar e a PRIMEIRA luta, essa é dentro de nós!
Manter o coração aberto e acreditar que é possível ser feliz, no meio de toda esta confusão negativista e de quase apocalipse.  Vamos abrir o coração à nossa volta, distribuir sorrisos, amar a Chuva como amamos o Sol,  abrir-nos à mãe Natureza que é perfeita, dar-nos mais às pessoas que amamos, dizer-lhes isso mesmo, que as amamos e que estamos ali para o que der e vier.  

Realmente, não tenho o coração sempre aberto. Tenho vindo a aprender com o tempo e é um lugar definitivamente muito pacífico e seguro onde gosto de estar.  Sinto-me abençoada e ao mesmo tempo triste por não conseguir que todos à minha volta, todo o nosso povo de Portugal,  consigam ter a abertura de coração. Porque vamos precisar muito dela, porque precisamos todos neste momento de unir os nossos corações na mesma vibração para criar muita energia positiva.    De coração fechado a vida vai passar-nos ao lado... de coração aberto iremos sofrer muito, mas iremos vibrar com as mais pequenas coisas a que temos de re-aprender a dar valor!

Um sorriso do tamanho do Mundo, e desculpem este desabafo tão extenso!  Mas estava a precisar! Amanhã é outro dia e a Vida continua !





Mar


O meu fascínio pelo mar deve ter nascido antes de mim, por isso hoje dedico-lhe este artigo, na forma de um poema da poetisa que também adorava o mar...

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Como olhar para (compreender) a Arte Abstracta ?

Adoro pintar e se pudesse passaria os meus dias só nessa actividade que é para mim tão normal como respirar, comer, dormir...
Mas gosto de pintar o quê ?  Então.... Tudo!  É possível pintar mesmo tudo, aquilo que vemos e aquilo que não vemos, é possível pintar pensamentos, emoções, raciocínios...
Se eu pudesse pintava até nas paredes de casa, nos muros do pátio, no carro, enchia tudo de cores!  
E por causa deste fascínio pelas cores, combinações de luz e sombra, texturas e relevos, sinto que sou uma pessoa de "ondas inspiradoras" muito ecléticas.  Porque tanto me pode dar para pintar algo que parece uma fotografia e cuja inspiração vou buscar a uma qualquer imagem que retive com um "olhar fotográfico".  Pode ser uma paisagem, uma flor,,, ou como me apetece pintar algo com "corpo" (relevo, textura...) para apetecer tocar na pintura quando a vemos, e aí adoro "meter a mão na massa" - acrílica...  e ainda pinturas abstractas que saiem ao sabor dos pensamentos ou emoções dos momentos.  Podem ser manchas de cor, riscos e riscos, figuras geométricas distorcidas...
E é sobre pintura abstracta que gostaria de falar hoje.  É que parece algo muito simples mas curiosamente é o estilo que mais exige de nós.  Há até quem pense "bem, a pintura abstracta qualquer um pode fazer....basta pegar nas tintas, atirar para a tela e já está!  Ah!  E qualquer um pode de facto fazer isso, eu já fiz.... mas estraguei imensas telas!  Por falta de composição, por erro de cores, por no final olhar para aquilo... e não me dizer nada!
No fundo, no fundo, "abstractizar" de forma que funcione não é assim tão linear.  E depois há a questão de saber olhar para a pintura abstracta.  Creio até que a maior parte das pessoas que não apreciam é porque ainda não aprenderam a compreendê-la.  Eu própria já passei por essa fase e em relação a alguns artistas famosíssimos, com obras vendidas por milhões de euros (depois de terem falecido, claro está....) ainda hoje não consigo entender.  Um desses casos é por exemplo a obra de Mark Rothko, que até hoje ainda estou a milhas de compreender.  Mas lá chegarei...
Esta será apenas a minha opinião, outras pessoas terão outras e quem pinta sentirá de maneira diferente certamente.  Por isso este estilo é tão polémico, tão amado por uns e detestado por outros!

Quanto a mim, quando estou na "onda abstracta" não estou a tentar capturar a imagem de uma paisagem ou figura. O meu assunto é apenas a pintura em si.


                                                           Ave do Paraíso III


O que vê cada um quando olha para a pintura abstracta ?  
Cor, formas, linhas e texturas são os elementos físicos que se combinam para formar a imagem. Uma selecção de formas escuras e pesadas podem impressionar e revelar-se como sombrias. Formas mais leves e arejadas podem revelar-se como imagens místicas, formas equilibradas e temperadas revelam-se como pacíficas....  

A  cor e forma têm significados em si. Nós reagimos emocionalmente a esses elementos, mesmo que não se crie nenhum objecto reconhecível por nós.  Assim, uma pintura de formas irregulares, angulares, em vermelhos profundos por exemplo, evocará uma sensação totalmente diferente de uma em curvas suaves de amarelo e branco.
A manipulação do espaço - ou a ilusão do espaço - é outro elemento que também atrai os artistas. Podemos sentir-nos atraídos para um mundo de espaço tridimensional que se estende além do âmbito da pintura. (No caso, quando "brinco" com as massas acrílicas para cirar formas e texturas em alto relevo)  Ou então podemos ficar  visualmente em tensão, e não sair de um espaço bi-dimensional. A impressão de profundidade, perspectiva, leveza, solidez, e outras relações espaciais são criadas e controladas quando estamos a pintar.
A composição global ou desenho de uma pintura é o que orienta o olhar do observador. Já alguma vez olhou para uma pintura ou fotografia e sentiu que ela estava  desiquilibrada? Uma das grandes diferenças entre fotografias amadoras e fotografias profissionais, é a qualidade da composição. Numa fotografia amadora, talvez toda a acção esteja centrada na esquerda, sem nada e com espaço vazio à direita. O desequilíbrio dá uma sensação de desconforto. (É claro que um artista pode usar esse mal-estar também deliberadamente, para provocar o espectador...)
A composição é uma das ferramentas fundamentais e o objetivo é conseguirmos um equilíbrio dos elementos visuais, sem fazer algo que se torna chato.  Se por exemplo, estiver  tudo do lado esquerdo igual ao que está no lado direito, e o mesmo do topo para a base, haverá realmente equilíbrio mas perde-se o interesse.  (uso a regra dos três terços...)
Conseguir uma boa composição, equilibrar todos  os elementos  ( linhas, cores, formas...), mantendo uma tensão dinâmica, é este o principal objectivo a atingir no final da pintura. Se adicionarmos uma pincelada azul no canto esquerdo inferior, por exemplo, logo vamos ter que mudar algo no canto direito superior.  Não nos podemos concentrar numa secção de cada vez, ignorando o resto da tela e depois esperar acabar com uma composição que funcione...

 
                                                                     Crepúsculo
  
Energia é outro factor, ela é a força vital que está presente em toda a  arte. Isto não é algo que é facilmente definido, mas é o estado oposto de um resultado estático. É essa energia que faz uma pintura falar connosco e faz com que o  trabalho de um artista seja original e identificado como a obra daquele artista. 
A energia é criada a partir dos materiais do artista e das ferramentas, mas o final é mais do que o meio, no mesmo sentido em que uma composição musical é muito mais do que uma colecção de notas.  E essa energia pode ser transmitida pelas cores escolhidas, pela forma como elas são aplicadas na tela, pelos contrastes gerados, pelas texturas, pelo movimento das pinceladas ou da espátula, ou dos dedos, ou do que se usar para pintar.
Para tentar compreender uma pintura abstracta, da próxima vez que olhar para uma, ou para qualquer tipo de "arte moderna", não comece a procurar  algum objecto identificável a partir do seu mundo.  
Em vez disso, tente entrar no mundo que o artista criou. Relaxe e deixe os olhos passearem na superfície da pintura. Deixe o  coração e a mente reagirem às suas cores, formas e texturas. Deixe-se atraír  para a ilusão dos seus espaços, a acção das suas linhas, se as houver, ou para o humor e energia criados pela atmosfera das cores.


                                                                         Alegria

 Dê uns passos para trás e olhe a pintura à distância.  Depois caminhe para ela lentamente e sinta qual o impacto que ela lhe causa à medida que se aproxima.
Mova-se para mais perto e explore os meandros das pinceladas, as  espessuras da tinta e das texturas, os relevos e detalhes da composição. Veja como as partes são relacionadas em conjunto para formar o todo.
Dê tempo à pintura.  Nenhuma obra pode ser compreendida e apreciada apenas num  relance de dez segundos. A arte deve crescer em nós, tornando-se mais interessante e mais agradável de olhar a cada dia que passa connosco.
Mesmo assim,  ainda pode ver  "coisas" nas pinturas abstractas, encontrar  pássaros e árvores e animais escondidos nas formas. E isso é tão natural como quando olhamos as nuvens no céu e
as transformamos em formas reconhecíveis. Fazêmo-lo desde crianças... e continuamos pela vida fora. 
Mas por abrir os olhos para as possibilidades do mundo que o artista criou ali naquela tela, poderá um dia ver mais do que jamais esperava ver na arte abstracta.

Será que precisamos de mais ?


Tudo aquilo de que dispomos  hoje é o estritamente necessário para passarmos à fase seguinte da nossa vida. Nem mais, nem menos. Só. Assim. Tal e qual. Tudo o que temos hoje à nossa disposição é o que necessitamos. É óbvio que muitos queriam mais. Claro que sim. Claro que gostariam de ter mais condições para – pensam – andarem mais depressa de encontro aos seus objectivos.
A primeira pergunta que podemos fazer é: Será que temos de andar mais depressa? Será que a este ritmo não estaremos a adquirir mais capacidades e estrutura ?  Será que não atraímos a velocidade exacta de andamento, necessária para conseguirmos vencer as nossas resistências consistentemente?  Será que essa resistência seria vencida se tudo andasse mais depressa?
E a última pergunta que podemos fazer é:  Queremos  que tudo ande mais depressa para chegarmos mais depressa aos nossos objectivos? Quais objectivos? Será que neste caminho mais lento, mais restritivo, não ficaremos mais maleáveis para aceitar que aqueles não são os nossos verdadeiros objectivos?
Se queremos mais, mais coisas, mais depressa, está na hora de chorarmos a impotência. Então que choremos... Choremos essa impotência de as coisas terem de ser desta maneira. Choremos, porque é a única coisa que podemos fazer neste momento. Chorar e conformar-nos que hoje é o que temos. E mais nada. Não  precisamos de mais nada.
Tudo o que atraímos neste momento, tudo de que dispomos agora é o estritamente necessário para alcançarmos a próxima fase da nossa vida. Querer mais agora, é ego...

A Perfeição



A perfeição não existe. E, como não é um objectivo, não pode ser uma meta. Só podemos  querer chegar a um lugar que seja acolhedor, confortável e leve. Não é suposto o ser humano querer ir para um local desarmonioso e desarmonizado. Pois a perfeição é isso,  um estado de exigência, de stresse, de angústia e depressão.
É um local em que o ser humano deposita demasiadas expectativas, mas é ao mesmo tempo um lugar desconhecido, pois visto não existir, nunca ninguém lá esteve. A não ser por breves instantes. O problema é que os homens não levam isso em consideração. Querem ser perfeitos. Lutam para ser perfeitos, julgam tudo o que é imperfeito retirando todo o seu valor. O homem só não percebe que: 
O céu é perfeito. 
O Universo é perfeito. 
O céu alberga seres de luz. O mundo alberga homens, seres imperfeitos em busca do caminho da evolução. E como vão evoluir? Entrando em contacto com a imperfeição do mundo, para, e por conflito com essa mesma imperfeição, conseguirem evoluir, conseguirem avançar.
Agora imaginemos que o ser fosse perfeito. Não existiria conflito, e pelo facto de ser pelo conflito que se evolui, não haveria evolução. Era tudo perfeito, e a experiência da terra nunca teria existido...
E agora? 
O que é preciso fazer?
É preciso fazer as pazes com a sua própria imperfeição. Aceitar que não somos perfeitos, e nem temos de ser.
Devemos, isso sim, fazer o melhor que sabemos, da maneira mais responsável. Só.

Qual é a cor da sua Vida ?

A vida é um acontecimento que merece ser comemorado, celebrado.  A cada dia que passa, a cada instante, ela renova-se e é generosa nos pequenos espaços.  Mas a vida é miúda, pequenina, feita de pequenas partes.  Viver é como construir um mosaico ou um puzzle, peça a peça, dia após dia. 
Ou como uma pintura, que se vai criando, aos poucos, veladura atrás de veladura, camada após camada...a beleza de um momento, unida à tristeza de outras horas, vai passar a fazer parte desse mosaico, vai ser uma parte desse puzzle, vai ter cor e espaço nessa mesma pintura.  As cores misturam-se e buscam a harmonia tão desejada.


Há dias em que as cores são sombrias, frias, a vida pede calma, silêncio, pausas...
Há dias em que as cores são quentes, vibrantes, fortes... a vida rompe com toda a forma de calma.
Há dias em que as cores são frias… a vida pede calma, silêncio, pausas…
Há dias em que as cores são quentes… a vida rompe com toda forma de calma…
Parece desiquilíbrio ?   Não... pois não suportaríamos permanecer num só lado dessas duas possibilidades para sempre.  O que nos torna felizes é justamente essa dinâmica da Vida, que nos envolve nas suas eternas variações.
É como se a Vida fosse a trama de um tear.  Há fios que se entrelaçam para construirem juntos o mesmo tecido e a diferença das cores é que garante a beleza final...
Por isso nunca sei qual é a cor da minha Vida.  Assim bem lá no fundo eu sei que é o azul do mar.  Não é alegre, nem triste.  É calma, paciente, e tranquilamente eterna... mas esta é a minha cor, não a cor da minha Vida.  Porque a Vida tem tantas cores!   É vermelho excitante e quente dos dias cheios de amor, o rosa das carícias.   É o cinzento ou o negro quando as coisas correm mesmo mal.  É o amarelo e o laranja do Sol nos sorrisos e traquinices das crianças. 
É o verde sagrado das florestas, é o branco cristalino da neve, é o castanho do chocolate e de uns olhos igualmente doces... as cores da Vida não têm fim.  Assim, juntando à nossa cor, as cores da Vida, caminhamos em busca da cor da Felicidade.  Ninguém pode apreciar  o vermelho, o amarelo, o verde, o azul... se não conhecer outras cores, como o preto ou o cinzento.  Ninguém pode saber o que é doce se não conhecer o amargo.  Ninguém pode saber o que é a felicidade, se ainda não tiver passado pela decepção. Assim como também só pode saborear bem a vitória, aquele que já sentiu o amargo da derrota.
A vida é repleta de cores e de ensinamentos, e nós estamos cá para aprender, um dia de cada vez.
E e para a pintarmos de todas as cores...

Chegou o Verão


Chegou o Verão!

E até parece que já só pensamos em férias, relaxar um pouco, apanhar um sol, uma cor, estar mais tempos com a família, fazer grandes trapalhices todos juntos e rir, rir, rir até doer a barriga. Lá chegaremos...  Será altura de recarregar baterias para mais um Outono/Inverno e para num instante entrarmos num ano novo que se prevê ser bastante difícil.  Mas o que sabemos nós do futuro ?  E sobre o passado ?
O passado terminou. Devemos aprender com ele e deixá-lo ir. O futuro ainda não chegou.
A vida é mesmo assim. Se não estivermos inteiramente no momento presente, olharemos à nossa volta e ele já terá passado. Teremos deixado de sentir o contacto, o aroma, o requinte e a beleza da vida.  Parecerá que ela nos está a deixar  para trás.

Podemos  fazer planos, mas não perder tempo a preocupar-nos com o futuro. Não adianta nada de nada.
E quando pararmos de ruminar a respeito do que já aconteceu, quando pararmos de nos preocupar com o que talvez nunca venha a acontecer,  então estaremos a viver o presente e começaremos a sentir a alegria de viver.  Como diz aquela canção...


Here is a little song I wrote
You might want to sing it note for note
Don't worry be happy
In every life we have some trouble
When you worry you make it double
Don't worry, be happy......

Ain't got no place to lay your head
Somebody came and took your bed
Don't worry, be happy
The land lord says your rent is late
He may have to litigate
Don't worry, be happy
Look at me I am happy
Don't worry, be happy
Here I give you my phone number
When you worry call me
I make you happy
Don't worry, be happy
Ain't got no cash, ain't got no style
Ain't got not girl to make you smile
But don't worry be happy
Cause when you worry
Your face will frown
And that will bring everybody down
So don't worry, be happy (now).....

There is this little song I wrote
I hope you learn it note for note
Like good little children
Don't worry, be happy
Listen to what I say
In your life expect some trouble
But when you worry
You make it double
Don't worry, be happy......
Don't worry don't do it, be happy
Put a smile on your face
Don't bring everybody down like this
Don't worry, it will soon past
Whatever it is
Don't worry, be happy

Corremos tanto, porquê ? Para onde ?


Não sou só eu que tenho esta sensação...
Parece que o tempo encurtou e que isto está a acontecer cada vez mais, pois temos tanto o que fazer e só vivemos a correr! Numa velocidade muito maior do que o nosso equilíbrio emocional suporta, ultrapassando os avisos que nos assinalam a ultrapassagem dos limites suportáveis do organismo, vencendo recordes, muitas vezes cansados, vivendo momentos sem viver, respirando mal e muitas vezes sem compreender bem para onde vamos e o que desejamos para as nossas vidas.
E assim, os dias vão indo, e nós com eles, e, como na correria nos desligamos do nosso espírito, empobrecemos a nossa alma, que, sem estar a ser alimentada, entristece, definha. Daí vermos com assombro, à nossa volta, tantas pessoas desanimadas, desmotivadas, sem brilho no olhar, sem amor pela vida. Tudo porque estamos a correr  além do nosso fôlego, da nossa capacidade de processar o que nos acontece. As emoções vão se amontoando dentro de nós, como roupas atiradas sem cuidado para dentro de uma gaveta, peças sujas misturadas com limpas, velhas com novas, usáveis com aquelas que já poderíamos e deveríamos ter passado adiante...
Uma confusão muito grande, uma trapalhada tremenda... e não há tempo para a arrumação, pois temos sempre muito  que fazer, coisas que “não podem esperar”. E lá vamos nós, andando mal, esbarrando nos outros, pisando em muitos, magoando-nos a nós mesmos. Para quê?
Para onde vamos?


Duvido que alguém saiba... mas precisamos de ir, temos que ir andando...
Onde vai tudo isto dar? Como vamos estar no fim desta maratona toda? Será que felizes pela vida vivida, pelas relações que conseguimos cultivar, ou será que esvaziados, envelhecidos, desgastados e vencidos?
Contrastando com este cenário criado por nós, seres humanos, em volta, a Natureza ainda se preserva ritmada e procurando  manter o seu equilíbrio.
O sol  nasce, todos os dias; no fim do dia despede-se e permite que a noite nos propicie um cenário mais tranquilo, para que possamos dormir, relaxar, descansar. Será que nos permitimos acompanhar este ritmo, ou continuamos a trabalhar, a movimentar-nos, neste vai-e-vem descontrolado e pernicioso que acaba por nos fazer adoecer e que vai contaminando o planeta inteiro, mudando o clima, dificultando a produção de alimentos, gerando cataclismos gigantescos onde uma quantidade incontável de pessoas desparece de uma só vez, deixando em volta muita tristeza, desolação e saudade?

Talvez tudo comece em cada um de nós...
Se queremos contribuir para uma cura contra esta corrida contra o eterno Tempo, precisamos de nos harmonizar. O problema não está na China, nem no Polo Norte, ou em qualquer  outro local dos pontos cardeais... está muito próximo, nas nossas almas e muito podemos fazer para melhorar tudo isto, se cuidarmos de nós, nos respeitarmos, nos amarmos. Temos de compreender  a nossa parcela de responsabilidade diante de todos.
Sendo paz , vivendo a semear tranqüilidade - apesar do tumulto reinante - estaremos a deitar água para apagar um incêndio que já faz arder muitos locais e tantos corações. Talvez seja a hora de acção - mas para ela se dar, talvez seja preciso, mesmo, muita meditação. Para que a voz do nosso espírito, aquele voz interior que todos temos,  nos aquiete e nos indique o caminho que parece não ser o que a maioria está escolher.
Para que tenhamos tempo para amar, para sentir, para realmente trabalhar de maneira consciente, sendo quem somos de verdade e dando aquilo que temos para oferecer aos outros, com sinceridade. Talvez  façamos menos, mas com qualidade.

E sobretudo, que o silêncio também tenha espaço nas nossas vidas, para que a Sabedoria da nossa própria essência nos possa comunicar de que forma precisamos de andar. É importante ouvir o silêncio, parar para ver um arco-iris, admirar o céu, ouvir a Natureza no canto dos pássaros, na chuva que cai, na trovão que ecoa...
O Tempo é eterno e supremo, não queiramos também dominá-lo.  Há tempo para tudo, há que aproveitar da forma mais natural tudo o que a Vida tem para nos oferecer sem nos rodearmos de "ruído" e "lixo", de objectos inúteis, de tarefas supérfulas e fúteis que repetimos sem nexo e sem fim. Todos nós vivemos rodeados de mensagens icónicas e verbais, extremamente apelativas, que nos levam a desejar inúmeras coisas. Contudo, a maior parte das vezes, caímos na tentação e passamos ao acto de compra.

Os miúdos são os mais influenciáveis. Querem o último grito em telemóveis, consolas de jogos, ténis iguais aos deste ou daquele ídolo desportivo, roupas de marca… Os adultos, para além das roupas de marca, têm voos mais altos e desejam as casas de sonho que vêem nas revistas, os carros super caros que a televisão impinge a todo o instante, deslumbram-se com as viagens a locais paradisíacos que as agências de viagem promovem. E, segundo a publicidade, tudo é facílimo! Basta um pequeno passe de mágica, no banco mais próximo de casa: tudo se consegue com um empréstimo bancário! É mesmo surreal contrair-se um empréstimo para ir fazer uma viagem, nas férias do próximo ano, quando se desconhece, se se chega a essas férias. Afinal, o futuro a Deus pertence e não se sabe se a nossa vida termina no minuto seguinte ao pedido de empréstimo, ou pagamento da primeira prestação desse empréstimo.

Vivemos a desejar sempre mais. Esse mais, de uma forma geral, são coisas fúteis, porque queremos ser melhores do que o vizinho. Nessa pressa de ser mais ou melhor do que o outro, esquecemos, contudo, de valorizar e gozar aquilo que temos ali à mão e que não custa nada. Esquecemo-nos de viver! Assim, para que a criança tenha tudo o que pede, limitando-se a exigir sem fazer qualquer esforço para conseguir o que quer que seja, e desconhecendo, ou fingindo desconhecer, as dificuldades que se vivem em casa, os pais endividam-se, trabalham imenso, cortam muitas vezes na alimentação, que devia ser uma prioridade em prol da saúde física e mental, em detrimento de uma boa convivência familiar, essa sim muito importante. Depois, queixam-se estes pais que dão tudo aos filhos e não entendem como eles se desviaram do bom caminho! Confessam também, muitas vezes, que passam os dias todos longe dos filhos a trabalhar, não têm tempo para estar com eles e essas prendas são uma forma de aproximação. Quanto engano! Os garotos gozam o brinquedo um ou dois dias e põem-no de lado, exigindo outro de imediato.
A explicação para tudo isto é simples, tão simples que até dói: actualmente vive-se para o TER, em detrimento do SER! 
Assim sendo, as pessoas vivem numa correria enorme, sempre contra o tempo, tentando comprar tudo e dar tudo aos seus, mas, nestas corridas, esquecem-se de parar, conversar, escutar os silêncios, interpretar os olhares, estender a mão, dar um beijo ou, simplesmente, dizer que se amam.  Isso sim, é que é importante. Estas atitudes é que criam e fortalecem os laços entre as pessoas.
Quanto aos pais precisam de aprender a dizer “Não” porque isso é educar, é ensinar a crescer. Ter muito não significa ser feliz. Ser é que é uma enorme felicidade, porque se tem o coração cheio de valores para oferecer aos outros. E isto não custa dinheiro algum, não se compra nas lojas. Está ali à mão, juntinho a nós como um abraço.

Afinal, temos tanta coisa ali à mão que não gozamos, que não valorizamos porque vivemos no sofrimento permanente que nos falta muita coisa para sermos felizes realmente!
Existem inúmeras vezes que, em vez da compra de um objecto para oferecer aos nossos filhos, para os fazer felizes, bastaria acariciar-lhes os cabelos para despentear os pesadelos e encaracolar os sonhos que comandam a vida. 

Que a gente tenha tempo, também, para sonhar!

Pesadelo em Câmara-Lenta...

Mais uma vez, e outra...e outra... ficamos impotentes diante do poder da Natureza.  É como se ela nos estivesse a dizer que podemos ter a tecnologia para nos levar até à Lua, os conhecimentos que nos permitem curar muitas doenças e viver mais tempo... mas ainda somos impotentes perante tão brilhante manifestação de poder.


Tudo o que podemos fazer é ver mas  nem conseguimos acreditar.  Levantamo-nos da cama para ir às nossas vidas, ligamos a televisão e acordamos de imediato: Terramoto!  Pode até ser no Japão, lá do outro lado do planeta, mas é o nosso planeta.  De todos nós.  E tudo o que nele se passa diz-nos respeito.  
Primeiro é a descrença, foi mesmo ?  Depois o porquê ? 
A Natureza está sempre certa, ninguém pode questionar isso, não podemos questionar a sua finalidade ou a sua sabedoria.  Deve haver razões, perguntas a responder,  porém as respostas continuam a escapar-nos. A Natureza é uma professora cruel, faz-nos os testes e depois dá-nos as lições, que nem sabemos se somos capazes de aprender.


A Terra está furiosa ? Fizemos alguma coisa para justificar tais retaliações ? 
A natureza está a lembrar-nos de como somos vulneráveis e insignificantes ?
Está com raiva por causa das coisas que temos feito ?
Ou dá-nos simplesmente umas bofetadas para nos lembrar que temos de manter as coisas em perspectiva ?


Com mais este terramoto e a tsunami colossal que atingiu o Japão,  a juntar ao da Nova Zelândia, Chile, Haiti, tsunamis, vulcões a acordar... a lista de "avisos" vai aumentando.  Por esse mundo fora já há quem diga que Deus está zangado e apresenta mil razões.  Dizem que os nossos pecados são a causa, que nos guiaram para longe do caminho da virtude...
Há os defensores da ideia do apocalipse, o fim do mundo, à mistura com a confirmação das profecias dos Maias, porque 2012 é já para o ano.
Outros seguem o raciocínio científico e apresentam modelos científicos  para explicar tais fenómenos:  a Terra é um organismo vivo e está apenas a cumprir o seu ritual geológico.

A verdade estará algures, no entanto estes "avisos" arrancam-nos das nossas nuvens, das nossas supostas preocupações sobre nossa existência tão complicada...que até paramos para pensar.  E não é preciso pensar muito para constatarmos que não temos tratado bem do nosso mundo, o único que temos.  Será que não temos contribuido para isto ?  Quantas vezes a Natureza não nos disse já para não perturbarmos a sua harmonia ?  E quantas vezes não ignorámos reiteradamente esses avisos em nome do progresso...um progresso fictício.

Este progresso tem um preço muito alto, não é com poluição, aquecimento global e centrais nucleares que mostramos a nossa gratidão pelo dom da sua infinita biodiversidade, da sua suprema perfeição.   A Natureza é perfeita,  sempre corrigiu os seus erros e nós vamos decidindo interferir no seu curso com arrogância ignorante.  Até parece que nunca aprendemos que não se deve mexer num ninho de vespas, no entanto continuamos a insistir...tudo em nome do progresso.  E afinal o que é o progresso quando nos distanciamos cada vez mais da Natureza e da nossa essência?
É viver num país rico como por exemplo o Japão que é um dos 7 + ? 
Uma das contribuições para este desenvolvimento e "progresso" terá sido certamente a instalação de centrais nucleares para produzir mais e mais energia... e agora ?
Numa ilha situada na junção de 3 placas téctónicas, em que os sismos são quase o dia a dia, em que as tsunamis são um perigo iminente, plantam centrais nucleares à beira-mar ? 
Não consigo entender estas decisões, e agora ?Será que a magnitude da "raiva" da Natureza vai aumentar ? Iremos aprender algo com as suas lições ou é apenas a Natureza a chorar porque não conseguimos viver em harmonia com ela ?  Só o Tempo o dirá e enquanto ele corre o seu tempo vamos vivendo um pesadelo em câmara-lenta...

Desemprego - Separar o Trigo do Joio


É com imensa tristeza que todos os dias ouço ou leio sobre o aumento da taxa de desemprego em Portugal.  E todos sabemos o que isso significa para o país, para todos nós, os que ainda temos trabalho e lá vamos fazendo os nossos descontos, mas sobretudo para o grande número crescente de famílias em dificuldades. 
No entanto,  parece haver um certo número de pessoas que não compreende a riqueza que é ter um emprego, um trabalho. 
E eu não entendo porque é que elas não entendem isto. 
Porque é que certas pessoas utilizam algumas artimanhas para continuar no desemprego ?  É porque ganham mais no desemprego ? É  porque não gostam de horários ?  É porque não gostam de trabalhar ?  
Eu até já perguntei, mas ninguém ainda me explicou assim claramente.  
Na empresa familiar onde trabalho, quase todas as semanas nos aparecem pessoas vindas do centro de emprego.  Nos últimos dois anos nem estavamos a precisar de ninguém  porque as coisas estiveram meio paraditas, e as pessoas que apareciam também não se enquadravam na nossa área específica.  Por isso, lá iam embora, depois de assinarmos o papel para o centro de emprego.  
Há coisa de uns meses, começaram a aparecer algumas pessoas com um pedido estranho.  
Algumas vezes calhou-me a mim atender algumas dessas pessoas e até foi  numa altura em que estávamos a precisar de recrutar 2 pessoas e tínhamos colocado um anúncio. Quando entravam e eu via que traziam os papéis do centro de emprego pensava "boa, estão a começar a chegar candidatos".  Perguntei se vinham pela oferta de trabalho e obtive a seguinte resposta  (isto de várias pessoas, em alturas diferentes) :"Ah, era só para ver se me podia assinar aqui estes papéis (trazia 3 ou 4, todos iguais e em branco), não é para preencher nem pôr a data".  Eram os papéis que teriam de entregar periodicamente no centro de emprego para comprovar que estavam activamente a procurar trabalho...
Fiquei um bocado atrapalhada e disse: "mas olhe, repare que nós até colocámos um anúncio no centro, no jornal e na rádio local, estamos a precisar de pessoas..."  e não me deixando acabar : "não, não é para trabalhar, é só mesmo para assinar". 
Eu acho que devo ter ficado de todas as cores, deitado fumo pelas orelhas, sei lá!  O que aquela pessoa me estava a pedir era para assinar em como tinha estado ali na empresa e que lhe tinha sido recusado um emprego, quando eu acabara de lhe dizer que estávamos a precisar de pessoas e que deveriamos passar para uma entrevista ( nem me deixou acabar a frase...) e que até poderia ficar logo a trabalhar. Mas o que me marcou mais foi o facto de a pessoa já vir preparada com uma série de papéis iguais, que iriam servir para evitar ter de andar por outras empresas ou de ter de voltar de 15-15 dias.  Assim levava o trabalho todo feito de uma só vez e depois só tinha de colocar as datas certas.
Eu entendi isto como uma farsa e disse logo que não podia ser, que aquilo estava errado e era ilegal... ao que me respondeu que outras empresas assinavam!

Para mim isto é f-r-a-u-d-e, com todas as letras! 

Só peço, por favor, se alguém me lê e que tenha ou trabalhe em empresas onde estes pedidos acontecem e assinam nessas condições, que por favor pensem bem no que estão a fazer. Se há oferta de emprego e a pessoa recusa não se assina nada!  Se não há oferta de emprego só se assina um papel, nada de assinar outros com datas em branco!  Ao fazer uma coisa destas não estamos a ajudar ninguém, só estamos a contribuir para a corrupção e para que cada vez mais pessoas se mantenham no desemprego quando poderiam procurar trabalho mais activamente.  E pensem nos custos dessas acções para todos nós!  
Infelizmente, esta situação já se repetiu mais vezes, até parece que as pessoas estão a passar a palavra... será que não vêm que quando o subsídio acabar as coisas vão ficar mesmo negras ?  
Eu já tentei pensar porque fazem isto e recuso-me a acreditar que seja por não quererem trabalhar.  Fico-me pela ideia de que talvez estas pessoas recebam mais no desemprego do que num novo trabalho onde têm por exemplo de começar como aprendizes.  Mas imaginemos esta situação:  uma pessoa desempregada recebe de subsídio 800,00 €, procura trabalho na sua área e não encontra.  Em alternativa pode começar noutra área mas o salário é de apenas 500,00 €.  É evidente que a decisão matemática certa é recusar.... 
E se houvesse uma solução do género:  a pessoa aceita o trabalho a receber 500,00 € e o subsídio de desemprego passaria a ser um complemento de emprego em que o estado só pagaria os restantes 300,00 € durante o tempo que duraria o desemprego caso não tivesse encontrado trabalho.  Acho que as duas partes ficariam a ganhar; a pessoa,  porque já estava novamente integrada no mercado de trabalho e ao longo do tempo e com as suas capacidades o salário iria aumentando e a fatia do estado iria diminuindo até desaparecer na altura em que terminaria o fundo de desemprego.  O estado ganharia em pagar menos de subsídio e ganharia nos descontos sobre os 500,00 € iniciais. 
Não sei se esta é uma ideia parva, se é possível ou não, se pode ser uma base para estudo (mas estudo rápido)  só sei que a continuarmos como estamos só vamos numa direcção..... para o fundo!

Crise ? Qual Crise ?


Este é um post um bocado fora do tema geral do blog e não tem nada a ver com decoração.  Mas de vez em quando dou por mim a precisar de deixar sair alguns desabafos, (mesmo que ninguém os leia...) e por isso, ali à direita nos Temas do Blog, eles deverão ir aparecendo.

Falando de crise, deparo-me com imensas pessoas que realmente  dizem senti-la mais do que ninguém.  É que está tudo muito caro, é só queixas atrás de queixas, é que não conseguem poupar, o dinheiro não chega, estão cheias de dívidas, não se pode viver em Portugal, que mais valia  emigrar... e por aí fora.  Ao fim de algum tempo até sentimos pena de não podermos  fazer alguma coisa para ajudar mas mesmo assim lá tentamos e, cheios de compaixão lá ajudamos conforme podemos. Afinal não conseguimos sentir-nos de bem connosco quando há tantas pessoas assim infelizes, suspirando por cantos onde tudo parece negro.
Mais tarde,  ao fim de algum tempo de convivência, damo-nos conta de que talvez um grande números destas pessoas se ande a esquecer de usar as suas "celulazinhas cinzentas", como diria Hercule Poirot.  Senão, vejamos:

Vão ao cabeleireiro todas as semanas,  enquanto que nós só vamos de 3 em 3 meses e é quando é...
Estão sempre nas novas modas das unhas de gel, das depilações a luz pulsada, dos tratamentos de pele, da infinidade de cremes e loções, das extensões de cabelo, dos tratamentos anti-celulite, etc e mais etc,  enquanto que nós nos ficamos pelas corridas a pé e pelos tratamentos caseiros.
Renovam sempre o guarda roupa a cada estação, com roupas de marca para si e para os filhos, enquanto nós andamos a reciclar a nossa roupa há vários anos e as roupas dos miúdos vão passando de uns para os outros, entre irmãos, sobrinhos, primos...
Têm sempre imensos acessórios novos, (bijuterias, jóias, relógios, colares, broches, brincos, cintos, malas etc) e nós temos a mesma mala há séculos, o mesmo relógio  há décadas e do cinto nem se fala...é sempre o mesmo, apertadinho.
Vão almoçar ou jantar fora todos os fins de semana e tomam todos os dias o pequeno-almoço nas pastelarias, enquanto que nós, com o valor desse dinheiro alimentamos a família toda durante um mês....em casa.
Vão de férias para o estrangeiro,  enquanto que nós fazemos férias cá dentro.
Conseguem subsídios para  os livros escolares e as refeições dos filhos na escola enquanto que nós temos de pagar tudo, mesmo que em nossa casa entre menos dinheiro.
Estão sempre com as últimas tecnologias no que diz respeito a LCDs, plasmas, telemóveis, computadores, consolas e por aí fora,  enquanto que nós temos os mesmos aparelhómetros há anos e não os trocamos porque é moda, mas sim porque deram o berro.
 Têm uma gama infindável de perfumes caríssimos (para o dia, para a noite, para o Inverno, para o Verão...) enquanto que nós temos aquela bisnaga de creme perfumado que foi oferecido pela cunhada no Natal, e do qual só usamos umas gotitas de vez em quando para que dure até ao próximo Natal.

Acho que poderia continuar a alongar-me nestes exemplos que são bem reais,  vejo-os todos os dias...e a lista continuaria a crescer.  Mas isto dá-me que pensar... e quem sou eu para fazer juízos de valor sobre quem quer que seja, mas não me venham com tretas que estas pessoas estão a sentir a crise!

Qual crise ! Estas pessoas ainda não acordaram ! 

Os mais poupadinhos, os que não se queixam, que evitam desperdiçar,  que não vão de modas e só gastam o indispensável,  ainda são vistos quase como aberrações, porque não estão nada "in", porque não povoam os cafés, bares e pastelarias e têm férias foleiras no Algave ou no Alentejo.  Se calhar também  têm culpa da crise, porque se muita gente for assim as empresas não vendem tanto, ficam com as coisas em armazém e depois não conseguem pagar os salários e fecham...
Cheguei a um ponto em que já não sinto pena, nem compaixão, já estou no "cada um por si".  É demasiada ignorância ou negligência ou sei lá o quê... A estas pessoas devia ser dada a possibilidade de fazerem uma viagem no tempo, viverem apenas 30 dias em 1943, (que nem foi assim há tanto tempo), e terem de partilhar uma sardinha com 3 pessoas! 

Só me custa é que as  pessoas que estão verdadeiramente em dificuldades, que não têm qualquer extravagância e que nem sabem o que isso é, que não têm por onde cortar mais, que passam fome, que vêem o futuro dos filhos em risco, não falam, não se queixam, talvez por medo da humilhação, por vergonha,  e essas sim, precisam de ajuda.  E ninguém sabe VER !

Tela - Santos e Pecadores


Neste início de um novo ano, dedico a todos...........

Quero pintar a minha vida de todas as cores
Quero pintar...por ti
E quando chegar o momento
Deixa-te pintar
Deixa-te levar
Deixa-te pintar
Na minha sala sob a luz do luar
Perde-te no tempo... deixa-te levar
Pintei o teu corpo numa tela
Esculpi o teu rosto à luz da vela
Pintei o teu corpo... pintei
Quero pintar a minha vida de todas as cores
E vou-me lembrar... de ti
E quando chegar o momento
Deixa-te levar
Deixo-me encantar
Deixa-te pintar
Na minha sala sob a luz do luar
Perde-te no tempo... deixa-te levar
Pintei o teu corpo numa tela
Esculpi o teu rosto à luz da vela
Pintei o teu corpo... pintei


É liiiiiiinnnnnda !!!

O Prazer de Vender um Quadro

Van Gogh morreu tendo apenas vendido um único quadro...

Eu já vendi muitos, já nem sei quantos (graças à Deus e à boa vontade dos meus compradores) mas é estranho pensar na proporção do talento dele em relação ao meu... é que nem existe proporção...


Por isso  quero  falar sobre o quanto é "gostoso" vender um quadro.


Não digo os retratos, porque eles são pedidos, encomendas onde a pessoa já sabe o que verá e pronto. Mas sim o gosto de vender as criações, aquelas coisas doidas que um dia eu pintei aqui em casa, pensando sozinha, eu com as minhas horas, telas e tintas...


Também não é pelo retorno financeiro  uma vez que os preços são basicamente o valor dos materiais e envios e servem apenas para poder comprar mais materiais e continuar a pintar.  O melhor mesmo é pensar que há partes de mim, de coisas que sairam do meu cérebro e do meu trabalho manual, espalhadas por aí.  Quando muito as pessoas verão o meu nome no rodapé ou na lateral do quadro e talvez me encontrem na net.


Outra coisa interessante é pensar que a grande maioria nem conhece o meu rosto, comprou apenas  o quadro, por ele, não foi pela amizade, nem por nada. Foi pelo quadro em si.


Eu fico muito feliz, até vaidosa, (porque todos somos um pouco vaidosos...), e adoroooo vender quadros. Muitas pessoas que pintam como eu ficam tristes quando vendem algo porque não verão mais a obra, mas contento-me em guardar a imagem, a foto dela. Adoro pensar que estão todas por aí, que cada uma encontrou um lar onde será feliz.


Adoro semear  idéias coloridas (ou não) pelo mundo.


Este é um post para agradecer a todos os que já compraram quadros meus. (E a você que ainda vai comprar, eu sei, ehehehe)

Muito obrigada do fundo do coração...